quarta-feira, 24 de julho de 2013

Terminando a caminhada: de volta a Lukla



Fomos dormir com a expectativa de encarar o dia mais cansativo no retorno.Caminhada de volta Cobriríamos todo o trajeto entre Deboche e Monjo, passando por Namche Bazaar.

Não bastasse o esforço que nos aguardava, Rosana piorou da diarréia que começou durante o dia. Passamos a madrugada meio insones e tive que recorrer à presteza de Manoel Morgado, que prontamente a medicou lá pelas 04:00. Tomamos café e junto com outro colega e um sherpa saímos mais cedo que o grupo, uma vez que iríamos em um ritmo bem mais lento.


Iniciamos a caminhada de volta, sempre parando aqui e ali para descansar, com a Rosana bebendo muitos eletrólitos para tentar manter-se hidratada. Foi com grande esforço que chegamos à Namche Bazaar para o almoço, após 5,5h de caminhada. O grupo já havia nos ultrapassado e estava finalizando a refeição. Comemos um Dal Baat com chá de limão e também optamos por seguir um pouco antes do grupo, o que reduziu nosso descanso.

Pouco a pouco, vamos nos despedindo das paisagens que nos acostumamos a compartilhar nesta quinzena maravilhosa. Faço fotos na esperança de captar mais um pouco desta região, tentando não deixar de registrar mais algum ângulo ou visual. Me convenço que é impossível. Uma vida inteira não seria suficiente para registrar tanta beleza.

As coníferas voltam a apresentar toda sua beleza
As coníferas voltam a mostrar sua beleza
Bandeiras de oração ponte
As bandeirinhas estão dizendo adeus?
Trecho da trilha 2
Precisa de legenda?
Trecho da trilha
Trecho na trilha
Pedras com orações Mani Budista
Nossas conhecidas pedras com
orações budistas entalhadas
Caminhamos mais 3,5h e chegamos a Monjo lá pelas 16:30. Nos últimos 2 dias, tivemos notícia que o Aeroporto de Lukla estava fechado devido a mau tempo e todos ficaram na expectativa. No mesmo lodge que havíamos ficado na ida, o grupo já nos esperava com o bom humor de sempre e desta vez, acompanhado de cervejas Everest. Nada como rir muito para espantar um pouco o cansaço.

A hospitalidade e animação dos sherpas não fica em baixa nunca. À noite, se reuniram conosco para dançar e cantar. Todo mundo cansado, mas participando, de um jeito ou de outro daqueles momentos, que sabíamos serem únicos. Tão especiais quanto as visões das montanhas.

De novo em Lukla

O trecho de Monjo até Lukla foi mais tranqüilo. Rosana havia acordado mais disposta e fomos em nosso ritmo, conversando com o Vicente, que nos acompanhou durante boa parte do tempo.

Prestamos mais atenção a alguns detalhes que não foram ressaltados na ida. As simpáticas caixas de coleta seletiva e as marcações de corridas que ocorrem nos caminhos tortuosos. Surpreso? Também há uma maratona – sim, maratona – entre Gorak Shep e Namche Bazaar, a mais alta do mundo (veja neste link)

Let´s keep Khumbu clean coleta seletiva
Let´s keep Khumbu clean
Marcas corrida
Marcas para orientar os corredores
Enfim, estamos de novo em Lukla, sede de um dos aeroportos mais extremos do mundo. O grupo estava novamente comemorando – e lá fomos nós, para mais uma merecida cerveja Everest geladinha.

Chegando a Lukla
Chegando em Lukla
Comemoração
Comemoração merecida
Fizemos a “cerimônia” de fechamento dos bastões de caminhada, encerrando simbolicamente a jornada e gravamos alguns depoimentos para o vídeo da Morgado Expedições. Almoçamos e nos preparamos para a despedida da maior parte de nossa equipe. Muitos carregadores sairiam dali para mais alguns dias de caminhada, em retorno a suas casas.

Foram três momentos carregados de emoção: primeiro, as gorjetas do grupo foram recolhidas, divididas e colocadas em envelopes e cada um de nós recebeu um envelope para entregar. Um a um, os nomes dos membros da equipe eram chamados para que recebessem o dinheiro. Cumprimentos, abraços e muita gente com lágrimas nos olhos.

entrega das gorjetas

Em seguida, nós recebemos os cartões de permissão para o trekking, como uma espécie de certificado de nossa jornada. Até então, estes cartões haviam estado em poder dos guias, que os apresentavam nos postos de controle.



Por último, os sherpas fizeram a distribuição de roupas e equipamentos doados pelos participantes. Funcionou assim: Morgado recolheu previamente tudo que gostaríamos de doar. Tudo foi entregue aos líderes da equipe que dividiram em montes, onde cada conjunto representava aproximadamente o mesmo valor, na percepção deles - o que também é interessante de se ver. Daí fizeram o sorteio e ninguém ficou sem receber alguma coisa.


doações e sorteio entre os sherpas

Descansamos o resto da tarde e à noite, após o jantar, tivemos a oportunidade (e satisfação) de fazer a entrevista com Manoel Morgado, enquanto alguns se divertiam em mais uma sessão de cartas (ô vício..hahahaha!). Fomos dormir na esperança que o Aeroporto funcionasse no dia seguinte.

Mais uma vez, as coisas deram certo. O dia amanheceu com tempo bom e os vôos não haviam sido cancelados. Tomamos café e seguimos com as bagagens para começar o processo, meio caótico, do check-in. Em nosso benefício, a coordenação da Morgado Expedições.

Check in no Aeroporto de Lukla 2 Check in no Aeroporto de Lukla

O grupo foi novamente dividido em 2 aviões para a decolagem “ladeira abaixo”. O vôo foi mais turbulento, denunciando os ventos durante a rota. Para completar as emoções, quase que o segundo grupo não chega: o avião deles foi o último a decolar, antes que o Aeroporto de Lukla fechasse novamente. Ufa!! Todos de volta a Kathmandu !

Desembarque em Kathmandu
Victor desembarcando em Kathmandu

Outros posts da série


1 - Como é !? Vão subir o Everest?
2 - Chegada à Kathmandu
3 - Explorando Kathmandu
4 - Kathmandu–Pashupatinah e Boudhanath
5 - Voando para um dos aeroportos mais extremos do mundo (Lukla)
6 - Começamos a jornada! Caminhada até Monjo
7 - Namche Bazaar
8 - No caminho para Thamo, a visita a monges budistas
9 - Rumo ao Everest Base Camp: chegamos aos 4000 metros
10 - Como as cargas são transportadas no Himalaia
11 - A caminhada continua. Rumo à Deboche
12 - Sol e esterco: fontes energéticas no Himalaia
13 - Os desafios continuam: caminhada até Dingboche
14 - Uma curta caminhada, lindas paisagens e um desafio
15 – Entrevista com Manoel Morgado
16 – Lobuche e o Memorial aos Sherpas mortos
17 – Quase Lá: Gorak Shep
18 – Kala Patthar: 5500m e a melhor visão do Everest
19 –  Acampamento Base do Everest:Objetivo conquistado
20 – Retorno do Acampamento Base do Everest – de Gorak Shep a Deboche
21 – Terminando a caminhada: de volta a Lukla

6 comentários:

  1. A diarreia faz parte deste trekking. A estimativa de ocorrer em 35% do grupo se confirmou, incluindo eu, e ainda bem que foi na volta, sem prejudicar a subida. Mas nada que tirasse o encanto do lugar e a beleza do Himalaia, que ficou ainda mais bonita quando começamos a cantar .Pois é, viemos eu e Renato Barros cantando músicas antigas da MPB , num repertório que variou de Roberto Carlos a Geraldo Vandré. Vicente também participou um pouco da brincadeira. Foi muito bom!

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    Respostas
    1. Tudo valeu a pena e, apesar de tudo, ao final, os perrengues não passam de histórias para ilustrar os relatos. Foi mais um teste de superação, entre todos os que você venceu!
      Beijão

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  2. Oi, Jodrian. Tudo bem? :)
    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia

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